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Dra. Ana Elisa Boscarioli: A primeira brasileira a escalar os sete cumes

POR VICTOR COSTA

No verão de 2007 no hemisfério norte, Ana Elisa Boscarioli estava a 20 metros do cume do Monte McKinley, no Alasca, que com seus 6.168m de altitude é o ponto mais alto da América do Norte. Diante de um vento de até 100km/h e com o polegar direito entrando em processo de congelamento, a cirurgiã plástica paulista viu que continuar a expedição poderia ser fatal e resolveu iniciar o caminho de volta. A experiência falou mais alto. Mas a vontade de conquistar a montanha persistiu. Afinal, era a única que lhe restava para se tornar a primeira mulher brasileira a completar os sete cumes, que são os pontos mais altos de cada continente.

Esse sonho foi realizado no dia 24 de junho, quando, em sua segunda tentativa, a brasileira de 48 anos atingiu o topo do Monte McKinley, às 7h30m do horário local. Em 2006, a paulista já havia se tornado a primeira do país a pisar no Everest (8.848m), o ponto mais alto da Ásia e do mundo.

O primeiro dos sete cumes conquistado por Boscarioli foi o Monte Aconcágua (6.962m), na Argentina, em 2003. Três anos depois, ela superou os 8.848m do Monte Everest, entre o Nepal e o Tibete. Em 2011 foi a vez do Monte Elbrus (5.642m), na Rússia. Em 2012, o Monte Vinsdon (4.892m), na Antártida, também foi superado. No mesmo ano, Ana Elisa Boscarioli tentou escalar os 4.884m da Pirâmide Carstensz, na Oceania, mas sua expedição foi sequestrada por índios de Nova Guiné e todos tiveram que ir embora. Ela retornou ao Carstensz em 2013 e finalmente conseguiu. Ainda em 2013, a brasileira atingiu o cume do Monte Kilimanjaro (5.891m), na África do Sul.

Para saber um pouco mais sobre essa conquista e seus planos para o futuro, o blog conversou com a escaladora. Confira o bate-papo:

RADICAIS: Qual é a sensação de ser a primeira brasileira a pisar nos sete cumes do mundo?
ANA: Escalar os sete cumes é um projeto pelo qual busquei por muitos anos. Esse é o tipo de projeto que você só consegue alcançar quando se tem muito foco, já que são passamos por várias etapas quando temos esse sonho. Por isso, posso afirmar com certeza que a sensação que tive quando consegui foi de orgulho e missão cumprida.

RADICAIS: Foram quantos dias de expedição?
ANA: Tínhamos uma expedição na montanha durante 20 dias, mas fiquei 16 dias na montanha. No entanto, ao todo na viagem foram 24 dias. Embarquei no dia nove de maio e voltei em dois de julho.

RADICAIS: Qual foi o momento mais delicado da expedição? 
ANA: Foi quando saímos da parte do maciço Denali (Denali pass). Chegamos a uma posição que o vento era muito forte e me resfriei bastante, pois demorei quatro horas para me alimentar e hidratar. Fiquei muito fraca. Quando consegui comer algo e beber água já estava mal e resfriada demais. Mesmo tentando me aquecer andando mais rápido, não consegui me recuperar e tive que voltar para base. Foi quando pensei em desistir, pois tive a sensação que não teria forças para voltar a escalar o cume.

Após voltar para barraca, consegui me esquentar e recuperar. Assim, refleti muito sobre o que tinha acontecido e pensei “já estive aqui uma vez e não consegui. Se for embora sem atingir meu objetivo novamente, vou ter que voltar”. Neste momento, tomei a decisão de tentar mais uma vez. Foi uma decisão difícil, pois escalar esse cume estava sendo muito árduo e no dia anterior tinha sofrido muito, mas, mesmo assim, resolvi arriscar e consegui.

RADICAIS: Como foi essa sua experiência no Alasca? 
ANA: Foi a segunda tentativa. A diferença é que na primeira vez, como é tudo novo, ficamos mais estressados, com mais insegurança, pois não conhecemos o local e “aproveitamos” menos a paisagem. Nesta segunda tentativa, consegui ficar um pouco mais solta e aproveitei mais a natureza da montanha, a paisagem deslumbrante. Fizemos um voo sobre as montanhas e pude observar o “mar de montanha”, a sua imensidão e curtir a paisagem única do local. Desta forma, fiquei mais “íntima” da montanha e segura da escalada.

RADICAIS: Há quanto tempo você planejava escalar os sete cumes?
ANA: Desde que escalei o Monte Aconcágua há 11 anos, em 2013, a minha vontade de superar limites e escalar o monte Everest aumentou. Após a conquista do Everest percebi que queria escalar os sete cumes e o projeto “nasceu”.

RADICAIS: Já está planejando uma nova expedição? Ou projeto?
ANA: Por enquanto, não tenho nada em mente. Estou descansando, já que o McKinley foi muito difícil para mim. No entanto, tenho certeza que em pouco tempo vai surgir a vontade de conquistar novos desafios.

Veja matéria original que saiu no Correio Popular:

recorteJornalCorreio_22072014

1)Fonte: ESPORTES CORREIO POPULAR A15-  Campineira Consegue Nova Façanha
Campinas, terça-feira, 22 de julho de 2014

2) http://oglobo.globo.com/blogs/radicais/posts/2014/07/24/ana-elisa-boscarioli-primeira-brasileira-escalar-os-sete-cumes-543713.asp